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CRÔNICA

Abre os olhos para ver!

Há um frio instalado dentro das pessoas. Não está relacionado com o inverno que chega. É um frio triste e conformado. Faz frio dentro das pessoas e o que o mundo dá não chega para as aquecer. A realidade não é quente o suficiente para soprar esse frio que já se fez casa em nós. Há um nevoeiro instalado dentro das pessoas. Não está relacionado com a estação do ano. É um nevoeiro que incapacita, não deixa ver e não deixa chegar. O problema é que quando está muito nevoeiro e faz muito frio, as mãos começam a doer e os dias respiram pior. É isso que nos está a acontecer sem darmos conta. Estamos a ficar sem calor. Daquele calor que tem a voz dos abraços e que faz ganhar raízes nas coisas boas. Estamos a ficar sem chama. Daquela chama que faz arder vontades e sonhos e que nos faz ser capazes de tudo. Estamos a ficar turvos. As costas fazem uma curva descendente, que rima com as vezes que olhamos para baixo. Estamos a ficar velhos. Ainda não vivemos quase nada e já arrumámos as roupas de viver e de sonhar. Estamos a ficar cegos. Olhamos para notícias sem interesse, aplicações aborrecidas, computadores atulhados de fotografias e telemóveis cheios de números que já se fizeram ossos e pó. Tiramos fotografias mas já não sabemos olhar nos olhos de ninguém. Temos o melhor telefone do mundo e estamos submersos numa solidão disfarçada de companhia. Estamos a ficar sem ar. Daquele ar que traz o fresco da manhã, o brilhozinho fresco das estrelas da noite e o golpe feliz do calor da tarde. Estamos a ficar longe. Daquele longe que nos faz reparar nos outros para perceber que se tornaram estranhos em muito pouco tempo. Pelo pouco tempo que tivemos. Estamos a ficar tristes. Daquela tristeza que se confunde com um dia frio ou de nevoeiro. Talvez seja tempo de calar o frio e de lhe dizer para ir dar uma curva. De saltar do sofá para a rua. De passar da mensagem de texto às mãos dadas. De passar da televisão para o mundo real. Não vamos estar preparados para ver tudo o que vamos encontrar se estivermos dispostos a olhar à volta. Mas vamos aprender. E quando abrirmos os olhos e os braços vamos encontrar pessoas que precisam do que nem sabíamos que tínhamos para dar. Há pessoas à nossa espera nos lugares por onde passamos todos os dias. Há lugares dentro das pessoas que estão à nossa espera todos os dias. É preciso não ficar distraído. O mundo pode ter lugares maravilhosos mas os que existem dentro de alguém são os mais inacreditáveis e preciosos. É preciso não esperar pelo dia de amanhã. É preciso não esperar pelo futuro para arregaçar as mangas ao coração. Estamos a morrer à fome de momentos. De alegrias. De dias inesquecíveis. É preciso muito mais do que aquilo que estamos a fazer. O inverno está a caminho mas já chega deste frio.
 
Abre os olhos e abraça. Abre os braços e...vê!


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