Noite dos sentidos
Outro obstáculo. E talvez seja ele o mais comum. Trata-se da
inércia espiritual, da confusão interior, da frieza, da falta de confiança.
Pode ser esse o caso dos que, depois de haverem iniciado bem, experimentam o
inevitável 'tombo' que surge quando a vida de meditação começa a tornar-se
séria. Aquilo que no princípio parecia fácil e agradável, de repente mostra-se
totalmente impossível. A mente não funciona. Não se consegue concentrar em
coisa alguma. A imaginação e a s emoções vagueiam. Por vezes disparam. A esta
altura talvez, no meio de uma oração cheia de aridez, desolação e repugnância,
inconscientes fantasias podem apoderar-se de quem medita. Pode ser
desagradáveis e mesmo assustadoras. Com mais frequência, nossa vida interior
torna-se simplesmente um deserto destituído de qualquer interesse.
Poesia e contemplação
(Agir, 1972), pág. 63
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Olhe para o alto. Para baixo, não. Não mire a sepultura, mas
as estrelas. Se as coisas estão difíceis, tenha fé. Você conseguirá e surpreender-se-á com as
jubilosas descobertas.