Pular para o conteúdo principal

JOSEPH RATZINGER, A ALEGRIA E O CARNAVAL.

Nestes dias de carnaval, apresentamos uma perfeita reflexão de Joseph Ratzinger.  Sobre a alegria. Mas não a falsa alegria, prometida pelo mundo, principalmente nos dias de carnaval, não. Mas acerca da verdadeira alegria, que é Jesus Cristo.
"Alegrai-vos, mais uma vez vos digo: alegrai-vos" (cfr. Fil 4, 4). A alegria é 
fundamental no cristianismo, que é por essência evangelium, "boa nova". No entanto, é neste ponto que o mundo se engana quando abandona a Igreja em nome da alegria, pretendendo que, com todos os seus preceitos e proibições, o cristianismo a arranca ao homem. 
Não há dúvida de que a alegria de Cristo não é tão fácil de enxergar como o prazer banal que nasce de qualquer diversão. Mas seria falso traduzir as palavras Alegrai-vos no Senhor por estas outras: "Alegrai-vos, mas no Senhor", como se na segunda frase se quisesse recortar o que se afirmou na primeira. Significa simplesmente "alegrai-vos no Senhor", já que o Apóstolo evidentemente crê que toda a verdadeira alegria está no Senhor, e que fora dEle não pode haver nenhuma. 
Com efeito, não há dúvida de que toda a alegria que se dá fora de Deus ou contra Ele não satisfaz, mas, pelo contrário, arrasta o homem para um redemoinho no qual não consegue experimentar um verdadeiro contentamento. Por isso, com essa expressão o Apóstolo informa-nos que a verdadeira alegria não chegará enquanto Cristo não a trouxer, e que aquilo que interessa na nossa vida é aprender a ver e compreender Cristo, o Deus da graça, a luz e a alegria do mundo. Pois a nossa alegria não será autêntica enquanto não deixar de se apoiar em coisas que possam ser arrebatadas das nossas mãos e destruídas, enquanto não encontrar um firme apoio na mais íntima profundidade da nossa existência, que não nos pode ser arrebatada por força alguma deste mundo. E toda a perda externa deveria fazer-nos avançar um passo para essa intimidade e tornar-nos mais amadurecidos para a nossa vida autêntica. 
Pode-se dizer que o elemento fundamental do cristianismo é a alegria. Não me refiro à alegria no sentido de um divertimento qualquer, que pode ter o desespero como pano de fundo; como sabemos, muitas vezes o divertimento é a máscara do desespero. Refiro-me à verdadeira alegria. É uma alegria que está presente numa existência difícil e torna possível que essa existência seja vivida. A história de Cristo começa, segundo o Evangelho, com o Anjo que diz a Maria: "Alegra-te!" Na noite do Natal, os anjos dizem outra vez: "Eis que vos anunciamos uma grande alegria". E Jesus diz: "Anuncio-vos a Boa Nova". Portanto, o núcleo de que aqui se trata é sempre: "Anuncio-vos uma grande alegria. Deus está presente, sois amados, e isso está estabelecido para sempre".

(O então Pe. Joseph Ratzinger, livro "Esperança do grão de mostarda", em 1974)

Postagens mais visitadas deste blog

ORAÇÃO PARA SER REZADA TODOS OS DIAS

 Ave Maria  de  Alta Graça         Ave Maria de Alta Graça, Luz Divina que o sol embaça, Ave Maria Paz e Minha Guia, me acompanhe neste dia Deus e a Virgem Maria, o mar se abrande, cessem os perigos, retrocedei todos os viventes que estiverem neste dia contra mim; Se tiverem pés não me alcancem, braços não me toquem, olhos não me enxerguem e língua não me falem; Faltem as forças a todos aqueles que me quiserem fazer o mal. Eu com o Manto de Nosso Senhor Jesus Cristo serei coberto, com seu sangue, serei baforado, não serei preso e nem amarrado; Viverei em paz e harmonia assim como viveu Nosso Senhor Jesus Cristo no ventre puríssimo de Sua Mãe Maria Santíssima.

DIA INTERNACIONAL DO AMOR - DIA 14

Os gregos usavam palavras diferentes para falar das várias dimensões do amor. Ágape - amor doação. Jesus é a expressão máxima desse amor. Filia - amor amizade. Eros - amor pelo que nos falta. O filme Titanic apresentou-nos o amor romântico. Na modernidade líquida – conceito do sociólogo polonês Z. Bauman – as relações pessoais tendem a ser efêmeras e de interesse mútuo porque a celeridade dos acontecimentos obriga as pessoas a não se demorarem em tudo que fazem, inclusive nos relacionamentos. Há um desejo pelo novo: trocar o carro atual por um mais novo, trocar os móveis do armário (mesmo em bom estado) por armários novos e, até, novos relacionamentos... Há uma obsolescência programada. Hoje se tem muitos amores, mas não o amor. Ainda mais, amamos as coisas e gostamos das pessoas.  Amor líquido que se contrapõe à solidez, durabilidade. Hoje o individualismo está em alta.É o amor de Narciso. Esse acha "feio o que não é espelho", conforme canta Caetano Veloso. F...