Beato Columba Marmion (1858-1923)
abade
A compunção do coração
A compunção do coração
| O que é a compunção? É uma disposição da alma que faz com que esta permaneça num estado habitual de contrição. [...] |
| Reparai no regresso do filho pródigo a casa do pai. Acaso o imaginamos, depois de regressar, com um ar despreocupado e uma atitude distanciada, como se tivesse sido sempre fiel? Claro que não! Dir-me-eis: «Mas o pai não lhe perdoou?». Com certeza, recebeu o filho de braços abertos e não lhe disse: «És um miserável»; pelo contrário, apertou-o ao coração. E o regresso deste filho constitui uma alegria tal para o pai que este prepara um grande banquete para o arrependido. Tudo ficou esquecido, tudo está perdoado. Este comportamento do pai do filho pródigo é imagem da misericórdia do nosso Pai celeste. |
| Mas ele, o filho perdoado, mantém os sentimentos e a atitude que tinha quando se lançou, arrependido, aos pés do pai: «Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho». Tenhamos a certeza de que, durante o júbilo com que o seu regresso foi celebrado, eram estas as disposições que dominavam na sua alma. E se, posteriormente, a contrição diminuiu de intensidade, nunca tal sentimento se apagou por completo, ainda que o filho recuperasse para sempre o lugar que tinha tido na casa paterna. Quantas vezes, com efeito, terá dito ao pai: «Bem sei que me perdoaste tudo, mas o meu coração não se cansará de repetir com gratidão a pena que tem de te ter ofendido e o desejo de resgatar, com uma fidelidade maior, as horas perdidas e o facto de te ter esquecido». |
| Deve ser esse o sentimento de uma alma que ofendeu a Deus [...]. A compunção do coração torna a alma firme no horror ao mal e no amor a Deus. |