| «Eu sou a verdade» (Jo 14,6). Em virtude da nossa condição natural, caminhamos neste mundo mergulhados nas trevas (cf Lc 1,79). Para ascendermos a Deus, precisamos de ser iluminados sobrenaturalmente. Só Cristo manifesta a verdade religiosa, pois Ele é a luz do mundo. Os seus ensinamentos, sem dissiparem por completo as trevas, permitem-nos reconhecê-lo como o Enviado pelo Pai e aderir a Ele como a Verdade suprema e infalível. «O Senhor é minha luz» (Sl 27,1). |
| O Evangelho traz ao mundo a revelação das grandes verdades religiosas: a Trindade, a encarnação, a redenção e as consequências da vida após a morte; e também revela à humanidade o mistério da paternidade divina. Quando Jesus nos fala de Deus, apresenta-O sempre como nosso Pai: «Vou subir para o meu Pai e vosso Pai» (Jo 20,18). Uma das características do Novo Testamento é ensinar-nos a chamar Pai a Deus, a comportarmo-nos com Ele como seus filhos (cf Mt 6,9; Rm 8,16). Com a paternidade divina, Jesus revela-nos também a nossa adoção, o nosso destino celestial e bem-aventurado, e todas as atitudes de caridade e virtude próprias dos cristãos. Recolhamos estas doutrinas dos seus lábios benditos, reconheçamos que emanam da própria Verdade e adiramos a elas com fé inabalável. Além disso, Cristo traz a verdade através de uma graça de iluminação inteiramente pessoal das nossas almas. Esta iluminação, única para cada pessoa, é essencial para o progresso da vida de Cristo em nós. [...] |
| Temos, pois, de considerar os caminhos deste mundo à luz da fé em Cristo. Coloquemo-lo como lâmpada divina no centro do nosso coração. Lancemos as nossas ideias, os nossos juízos e os nossos desejos aos pés de Jesus, para que possamos ver o mundo, as pessoas e os acontecimentos como que através dos seus olhos. Então, daremos o justo valor às coisas do tempo e às da eternidade. Beato Columba Marmion (1858-1923) abade Cristo, modelo e fonte de santidade sacerdota |