| Na provação, o homem que não quer nem deseja sinceramente se não a Deus deve refugiar-se nele e esperar com paciência que a paz regresse. [...] Quem sabe onde e como agradará a Deus voltar a cumulá-lo dos seus dons? Coloca-te pacientemente ao abrigo da vontade divina, que vale cem vezes mais do que os impulsos de uma virtude brilhante. [...] Porque os dons de Deus não são o próprio Deus, e só sele devemos gozar, e não dos seus dons. Mas a nossa natureza é de tal maneira ávida, de tal maneira voltada para si mesma, que se insinua por toda a parte, apoderando-se daquilo que não lhe pertence, e manchando assim os dons de Deus, impedindo a nobre ação de Deus. [...] |
| Mergulha, pois, em Cristo, na sua pobreza e na sua pureza, na sua obediência, no seu amor e em todas as suas virtudes. Foi nele que foram concedidos ao homem os dons do Espírito Santo, a fé, a esperança e a caridade, a verdade, a alegria e a paz interiores, no Espírito Santo. É também nele que se encontra o abandono e a suave paciência, e tudo se recebe de Deus com um coração semelhante. |
| Tudo quanto Deus Se permite decretar, seja prosperidade ou adversidade, alegria ou dor, tudo isso concorre para o bem do homem (cf Rom 8,28). A menor das coisas que acontecem ao homem é eternamente vista por Deus, preexiste nele, acontece como Ele a quis e não de outra forma. Estejamos pois em paz, essa paz em todas as coisas que só se aprende no verdadeiro desprendimento e na vida interior. [...] Tal é a herança do homem nobre que está solidamente fixado no repouso da alma em Deus, no desejo de Deus, que ilumina todas as coisas; tudo isso é purificado passando por Cristo Jean Tauler (c. 1300-1361) dominicano de Estrasburgo Sermão 23, para o domingo depois da Ascensão |