| O bem supremo é a oração, a conversa familiar com Deus. A oração é relação com Deus e união com Ele; e, assim como os olhos do corpo são iluminados pela visão da luz, assim também a alma voltada para Deus é iluminada pela sua luz inefável. |
| A oração não resulta de uma atitude exterior, vem do coração; não está encerrada em horas ou momentos específicos, está continuamente em atividade, de noite e de dia. Não nos contentemos em dirigir o pensamento para Deus quando ele se aplica exclusivamente à oração; mesmo quando temos o pensamento absorvido noutras ocupações – como a atenção aos pobres ou qualquer outra preocupação, com vista a uma obra boa e útil –, é importante combiná-las com o desejo e a recordação de Deus, a fim de oferecer ao Senhor do Universo um alimento doce, temperado com o sal do amor de Deus. |
| A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a medianeira entre Deus e os homens. Através dela, a alma eleva-se ao Céu e abraça o Senhor com abraços inefáveis. Como uma criança apela a sua mãe, a alma clama a Deus chorando, sedenta do leite divino, exprimindo os seus desejos íntimos e recebendo presentes superiores a qualquer natureza visível. A oração, pela qual nos apresentamos com reverência diante de Deus, é a alegria do coração e o repouso da alma. São João Crisóstomo (c. 345-407) presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 6.ª homilia sobre a oração; PG 64, 462D-463B, 466 |