A palavra pessoa (persona), significa, na origem, máscara. E é através da máscara — isto é, da representação social — que o indivíduo, pelo menos na construção ocidental que é a nossa, adquire um papel e uma identidade. Na Roma antiga, por exemplo, cada indivíduo era, tal como hoje, identificado por um nome que o ligava à sua gens, à sua génese, à sua estirpe. E esta estirpe, por sua vez, era representada plasticamente por uma máscara de cera do rosto do antepassado, que vinha fixada no átrio da casa das famílias patrícias. O que dava o nome, o que instituía o conjunto de membros de uma determinada família, era, assim, aquela máscara. Ora, do termo persona ao termo personalidade, que refere o modo como cada indivíduo atua no intrincado do teatro social, com os seus ritos e práticas, vai um passo. A ideia de persona/máscara acabou rapidamente por englobar a capacidade jurídica e a dignidade política do homem livre. Não de todos os homens, porque nem todos os homens eram considerados pe...