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Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz

  Na provação, o homem que não quer nem deseja sinceramente se não a Deus deve refugiar-se nele e esperar com paciência que a paz regresse. [...] Quem sabe onde e como agradará a Deus voltar a cumulá-lo dos seus dons? Coloca-te pacientemente ao abrigo da vontade divina, que vale cem vezes mais do que os impulsos de uma virtude brilhante. [...] Porque os dons de Deus não são o próprio Deus, e só sele devemos gozar, e não dos seus dons. Mas a nossa natureza é de tal maneira ávida, de tal maneira voltada para si mesma, que se insinua por toda a parte, apoderando-se daquilo que não lhe pertence, e manchando assim os dons de Deus, impedindo a nobre ação de Deus. [...] Mergulha, pois, em Cristo, na sua pobreza e na sua pureza, na sua obediência, no seu amor e em todas as suas virtudes. Foi nele que foram concedidos ao homem os dons do Espírito Santo, a fé, a esperança e a caridade, a verdade, a alegria e a paz interiores, no Espírito Santo. É também nele que se encontra o abandono e a su...
  Se as pessoas nos conhecerem como realmente somos, sem os enfeites mundanos de que nos cercamos, será que continuam a amar-nos? Ou será que nos esquecem mal deixamos de ter utilidade para elas? Somos bons por causa do que fazemos e temos, ou porque somos quem somos? Sou alguém porque o mundo me torna alguém ou sou alguém porque pertenço a Deus, muito antes de pertencer ao mundo? Henri Nouwen

Colocar a Cristo como lanterna divina no nosso coração

  «Eu sou a verdade» (Jo 14,6). Em virtude da nossa condição natural, caminhamos neste mundo mergulhados nas trevas (cf Lc 1,79). Para ascendermos a Deus, precisamos de ser iluminados sobrenaturalmente. Só Cristo manifesta a verdade religiosa, pois Ele é a luz do mundo. Os seus ensinamentos, sem dissiparem por completo as trevas, permitem-nos reconhecê-lo como o Enviado pelo Pai e aderir a Ele como a Verdade suprema e infalível. «O Senhor é minha luz» (Sl 27,1). O Evangelho traz ao mundo a revelação das grandes verdades religiosas: a Trindade, a encarnação, a redenção e as consequências da vida após a morte; e também revela à humanidade o mistério da paternidade divina. Quando Jesus nos fala de Deus, apresenta-O sempre como nosso Pai: «Vou subir para o meu Pai e vosso Pai» (Jo 20,18). Uma das características do Novo Testamento é ensinar-nos a chamar Pai a Deus, a comportarmo-nos com Ele como seus filhos (cf Mt 6,9; Rm 8,16). Com a paternidade divina, Jesus revela-nos também a nossa...

Ser uma alma plenamente espiritual

  São Basílio (c. 330-379) monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja Tratado do Espírito Santo, capítulo IX; PG 32, 107B-110C Ser uma alma plenamente espiritual Para o Espírito se voltam todos os que necessitam de santificação, para Ele se dirige o desejo de todos os que vivem segundo a virtude e que são, por assim dizer, revigorados pelo seu sopro, auxiliados na busca do fim que é conforme à sua natureza. [...] Purificar-se da fealdade adquirida pelos vícios, regressar à beleza da própria natureza, restituir, por assim dizer, a imagem real à sua forma original através da pureza é o único caminho para uma alma se aproximar do Espírito Santo. Ele, como o Sol que alcança um olhar puríssimo, mostrará em Si mesmo a imagem do invisível; e, na bem-aventurada contemplação da Imagem, verás a inefável beleza do Arquétipo. Por meio dele, os corações são elevados, os fracos são guiados pela mão e os que progridem tornam-se perfeitos. É Ele que ilumina os purificados de toda a im...

Onde houver falsidade, fazei que levemos verdade

  Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz. Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão. Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos. Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs. Vós sois fiel e digno de confiança; fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo: onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta; onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia; onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza; onde houver exclusão, fazei que levemos partilha; onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade; onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros; onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança; onde houver agressividade, fazei que levemos respeito; onde houver falsidade, fazei que levemos verdade. Amen. Vaticano, 24 de janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano de 2018. Franciscus

A paz esteja convosco

  São Paulo VI (1897-1978) papa de 1963 a 1978 Audiência geral de 09/04/1975 A paz esteja convosco Fixemos agora a nossa atenção na saudação imprevista de Jesus ressuscitado aos seus discípulos, recolhidos à porta fechada no Cenáculo, com medo dos judeus (cf Jo 20,19), saudação repetida por três vezes no mesmo contexto evangélico e que, à época, devia ser uma saudação habitual, mas que, proferida nas circunstâncias mencionadas, se reveste de uma extraordinária plenitude. Por certo vos lembrais dela: «A paz esteja convosco», uma saudação na qual ressoa o canto angélico do Natal: «Paz na Terra» (Lc 2,14). Trata-se de uma saudação bíblica, pré-anunciada como promessa efetiva do reino messiânico (cf Jo 14,27), mas agora comunicada como uma realidade declarada a esse primeiro núcleo da Igreja nascente: a paz, a paz de Cristo, saído vitorioso da morte e das causas, imediatas e remotas, dos tremendos e desconhecidos efeitos que ela encerra. Jesus Ressuscitado anuncia, assim, a paz e infun...

Observação - Edson Lira

  Salvo melhor juízo, percebo um obsoletismo notável em certas práticas religiosas. Há uma vontade em tornar a vida cristã um fóssil. Convem perguntar: Por que Jesus foi perseguido, torturado e condenado à morte ? Creio porque incomodou. Não podemos olvidar que Jesus não pregou o evangelho do agrado, dos mimos, da hipocrisia. Jesus não fez espetáculo. Jesus agiu, seus pés e mãos estavam em contato direto com os sofredores. Vejo a busca por segurança em práticas robotizadas. Não vejo busca por espontaneidade, por simplicidade. Os que admiram e há, frise-se, também razões para tal encanto, talvez esses não queiram ser incomodados pelo Evangelho da Vida. Querem as aparências. Salvem as aparências! Até quando podemos viver de aparências e não de consciência? Venha Jesus nos incomodar! Defendo o direito de você discordar de mim(Voltaire), mas não renuncio o direito de eu discordar de você. O Papa Francisco criticou a ideologia do pensamento único. É próprio dos seres humanos a diversida...

Ensina-nos, Senhor, que é dentro de nós que a paz começa. Cardeal José Tolentino de Mendonça

  Ensina-nos, Senhor, que é dentro de nós que a paz começa. Essa paz que nasce da reconciliação com as próprias feridas, escutando a nossa vida interna em vez de a omitir, dando espaço e dignidade às dimensões mais vulneráveis do nosso ser, reconhecendo com humildade a frustração, a violência e a agressividade que também em nós residem. Só assim seremos capazes de compreender e cuidar das feridas que os outros transportam. Ensina-nos, Senhor, essa paz que nasce do perdão, da capacidade de transformar as nossas quotidianas armas de guerra em relhas de arado, como diz o profeta. Essa paz que põe a morar lado a lado o lobo e o cordeiro e a pastar no mesmo campo o filho do leão e o bezerro. Essa paz que nasce quando deixamos que um redescoberto olhar de criança se torne efetivamente a nossa visão. Ensina-nos, Senhor, a paz que não é pré-fabricada, mas se tece como um lento artesanato. Essa paz que nasce da arte de colocar em relação fios muito diversos, respeitando a unicidade de cada ...

A Literatura e sua importância, por Edson Lira

  A literatura é a arte de palavra. Sua matéria- prima é, portanto, a palavra. A literatura é a transfiguração do real. É uma das manifestações artísticas da humanidade.  Uma característica transcendental do ser humano é o pulchrum, isto é, o belo. Um dos grandes apreciadores da beleza foi Fiodor Dostoiewski. Tal fato é surpreendente, pois seus romances penetraram nas zonas mais obscuras e até perversas da alma humana. Mas o que o movia, na verdade, era a busca da beleza. É dele a famosa frase:A beleza salvará o mundo, dita no livro O Idiota. No romance Os irmãos Karamazov aprofunda a questão. Um ateu Ipolit pergunta ao príncipe Mynski como a beleza salvaria o mundo? O príncipe nada diz, mas vai junto a um jovem de 18 anos que agonizava. Aí fica cheio de compaixão e amor até ele morrer. Com isso nos quis dizer: beleza é o que nos leva ao amor condividido com a dor. Desse modo, o mundo será salvo hoje e sempre enquanto houver essa atitude. A beleza, característica transcendenta...

Graças à ressurreição de Cristo, é inaugurado para todos um Espírito de vida

  A arrogância da morte foi reprimida [...], Adão foi libertado e foi inaugurado para todos os seres um Espírito de vida graças à ressurreição de Cristo, que traz consigo uma luz sem fim; [...] e todos os fiéis cantavam com amor: «Deus dos nossos pais e nosso Deus, bendito sejas, Tu, que estás acima de todo o louvor». Os túmulos abriram-se, ó Salvador, com o teu despertar, e as almas dos justos celebraram com alegria, ó Cristo, a tua ressurreição; pois Tu és o Senhor que, tendo morrido na tua essência humana, pela tua natureza divina, ó Todo-Poderoso, fizeste perecer o Hades e libertaste os mortais. Anunciamos as tuas duas naturezas, ó Cristo, pois és Deus e homem, e com devoção Te cantamos: «Deus dos nossos pais e nosso Deus, bendito sejas, Tu, que estás acima de todo o louvor». «Montanha santa»: é assim que te reconhecemos, ó Virgem, pois de ti foi talhada, sem mão humana, a Pedra, Cristo, que, vindo à nossa carne, encheu o mundo do conhecimento de Deus; a Ele adoramos, proclaman...

Maria Madalena

  São Romano, o Melodista (?-c. 560), compositor de hinos  Hino 40 Maria Madalena, enviada a anunciar a ressurreição Aquele que perscruta no mais íntimo dos corações (Sl 7,10), sabendo que Maria Lhe reconhecerá a voz, chama a sua ovelha pelo nome, como fazem os pastores (Jo 10,4), dizendo : «Maria!» Ela responde imediatamente: «Sim, é o meu pastor quem me chama, Ele vem à minha procura e quer contar comigo, juntando-me às suas noventa e nove ovelhas (Lc 15,4). Vejo atrás dele legiões de santos, exércitos de justos […]. Sei bem quem Ele é, Este que me chama; já o disse, é o meu Senhor, é Aquele que oferece a ressurreição aos pecadores». Levada pelo fervor do amor, a jovem quis deter Aquele que completara a  criação […]. Mas o Criador […] orientou-a para o mundo divino, dizendo: «Não Me detenhas. Pensas que sou um simples mortal? Eu sou Deus, não Me detenhas […]. Ergue os olhos ao Céu e olha o mundo celeste; é aí que deves procurar-Me. Porque Eu vou subir para meu Pai,...

Poemário: Pelo sonho é que vamos, de Sebastião da Gama

  Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos. Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia a dia. Chegamos? Não chegamos? – Partimos. Vamos. Somos.  Sebastião da Gama
Ser ressuscitado é bom, ajudar a ressuscitar os outros é maravilhoso, é graça de Deus!  

A primeira vela da Coroa do Advento. Caminhamos sinodalmente na Esperança!

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Advento - Cardeal D. José Tolentino Mendonça

  Advento, tempo de espera. Não apenas de um dia, mas daquilo que os dias, todos os dias, de forma silenciosa, transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazareth principiou. Advento, tempo de redescobrir a novidade escondida em palavras tão frágeis como “nascimento”, “criança”, “rebento”. Advento, tempo de escutar a esperança dos profetas de todos os tempos. Isaías e Francisco. Miqueias e Teresa de Calcutá. Advento, tempo de preparar, mais do que consumir. Tempo de repartir a vida, mais do que distribuir embrulhos. Advento, tempo de procura, de inconformismo, até de imaginação para que o amor, o bem, a beleza possam ser realidades e não apenas desejos para escrever num cartão. Advento, tempo de dar tempo a coisas, talvez, esquecidas: acender uma vela; sorrir a um anjo; dizer o quanto precisamos dos outros, sem vergonha de parecermos piegas. Advento, tempo de se perguntar: “há quantos anos, há quantos longos meses desisti de renascer?” Advento, tempo de rez...

Chamados ao Reino

  São Teodoro Estudita (759-826) monge de Constantinopla Catequese 83   Chamados ao Reino   Quando um rei deste mundo chama os homens à glória, ao sucesso, à riqueza, ao luxo e ao prazer, vemo-los correr para tudo isso com diligência, zelo e alegria. Pois quem nos chama é Deus, o Rei do universo – e não nos chama a esses bens vis e corruptíveis que mencionámos, mas ao Reino dos Céus, a uma luz que não conhece eclipse, a uma vida sem fim, a uma bem-aventurança inefável, à adoção filial e à herança dos bens eternos; com quanto mais zelo, alegria e ardor insaciável devemos, pois, correr, lutar e apressar-nos todos os dias e a todas as horas! Nem a tribulação, nem a angústia, nem a fome, nem a sede, nem o perigo nem, digamo-lo claramente, a espada, nem a morte (cf Rom 8,35.38), nada disto deve inspirar-nos receio ou fazer-nos recuar; pelo contrário, com coragem, vigor e fortaleza, sigamos a via ascética até ao fim, tudo suportando como leve e fácil em comparação com a...

O meu Reino não é deste mundo

  S anto Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Homilias sobre São João «O meu reino não é deste mundo» Escutai todos, judeus e gentios [...]; escutai, todos os reinos da Terra! Eu não impeço o vosso domínio sobre este mundo, «o meu reino não é deste mundo». Não temais, pois, com esse medo insensato que dominou Herodes quando lhe anunciaram o meu nascimento. [...] Não, diz   o Salvador, «o meu reino não é deste mundo». Vinde todos a um reino que não é deste mundo; vinde a ele pela fé; que o medo não vos torne cruéis. É verdade que, numa profecia, o Filho de Deus diz, falando do Pai: «Por Ele, fui eleito rei sobre Sião, sobre a montanha sagrada» (Sl 2,6). Mas essa Sião e essa montanha não são deste mundo. Com efeito, o que é o seu reino? São os que acreditam nele, aqueles a quem Ele diz: vós não sois do mundo, tal como Eu não sou do mundo (cf Jo 17,16). E, contudo, Ele quer que estejam no mundo e diz ao Pai: «Não Te peço que os retires...
  JEAN-PAUL SARTRE Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim.

Tu não cessas de abrir nossos olhos - Padre Francys Silvestrini Adão, S.J.

  "Tu não cessas de abrir nossos olhos para vermos o Mistério presente onde não há 'beleza para atrair nosso olhar' O que viste naquela viúva pobre? Escutaste naquele gesto a força de uma pergunta profética Queremos, ainda que generosamente, dar coisas e sobras a Deus e aos outros ou estamos dispostos/as a oferecer tudo o que somos e temos para viver? Ajuda-nos a compreender o que as mulheres, especialmente as mais pobres, têm nos ensinado há milênios por meio de mediações que não fazem barulho nos cofres do Templo uma comida bem feita ou um simples cafuné Estas mestras anônimas discretas como a Santidade do Pai revelam-nos o MAIS apreciado e louvado por Ti A entrega e o dom verdadeiros um amor que se arrisca renunciando seu próprio conforto para além das lógicas calculistas Pois só aí há Templo só aí há Encontro verdadeiro com Deus só aí enxergamos o Céu plenamente refletido na teimosa ternura do nosso Chão." Padre Francys Silvestrini Adão, S.J.