domingo, 1 de maio de 2016

O verdadeiro propósito da filosofia - Epicteto

O verdadeiro propósito da filosofia - Epicteto
A verdadeira filosofia não envolve rituais exóticos, liturgias religiosas ou crenças originais. Também não se resume a teorias e análises abstratas. A verdadeira filosofia é, evidentemente, o amor à sabedoria. É a arte de viver bem a vida. Como tal, precisa ser resgatada dos gurus religiosos e filósofos profissionais para não se deixar explorar como um culto esotérico [reservado a poucos], ou um conjunto de técnicas intelectuais desconexas, ou um jogo de quebra-cabeça que sirva apenas para exibir sua inteligência. A filosofia é destinada a todos e só é praticada de modo autêntico por aqueles que a associam à ação no mundo, visando uma vida melhor para todos.O propósito da filosofia é iluminar os caminhos de nossa alma que foram contaminados por convicções infundadas, desejos descontrolados, preferências e opções de vida questionáveis que não são dignas de nós. O principal antídoto a tudo isso é um auto-exame minucioso aplicado com bondade. Além de erradicar as doenças da alma, a vida de sabedoria pretende despertar-nos de nossa apatia e introduzir-nos no caminho de uma vida ativa e alegre.A habilidade no uso da lógica e do debate e o desenvolvimento da capacidade de definir as coisas com seus nomes certos são alguns dos instrumentos que a filosofia nos oferece para alcançar a clareza de visão e a tranquilidade interior que constituem a felicidade verdadeira.

Essa felicidade que é a nossa meta deve ser corretamente entendida. A felicidade costuma ser confundida com prazer ou lazer experimentados passivamente. Este conceito de felicidade só é bom até certo ponto. O único e precioso objetivo de todos os nossos esforços é uma vida em expansão no caminho da plenitude.
A verdadeira felicidade é um verbo. É o desempenho contínuo, dinâmico e permanente de atos de valor. A vida em expansão, cuja  base é a intenção de buscar a virtude, é algo que improvisamos continuamente, que construímos a cada momento. Ao fazê-lo, nossa alma amadurece. Nossa vida tem utilidade para nós mesmos e para as pessoas que tocamos.
Nós nos tornamos filósofos para distinguir o que é realmente verdadeiro do que é meramente o resultado acidental do raciocínio incorreto, das avaliações erradas adquiridas de modo imprudente, dos ensinamentos bem-intencionados mas equivocados de pais e professores e da aculturação que absorvemos sem refletir.
Para aliviar o sofrimento de nossa alma, precisamos nos entregar a uma introspecção disciplinada, na qual realizamos exercícios mentais para fortalecer nossa capacidade de descobrir quais são as convicções e os hábitos sadios e quais são os prejudiciais causados pela negligência.

Epicteto em A Arte de Viver
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Sermão 27, 8-10 

«Viremos a ele e nele faremos a nossa morada.»

«O Pai e Eu», dizia o Filho, «viremos a casa dele, quer dizer, a casa do homem que é santo, e iremos morar junto dele.» E eu penso que era deste céu que o profeta falava quando dizia: «Tu habitas entre os santos, Tu, a glória de Israel» (Sl 21,4 Vulg). E o apóstolo Paulo afirmava claramente: «Pela fé, Cristo habita nos nossos corações» (Ef 3,17). Não é, pois, de surpreender que Cristo Se deleite em habitar nesse céu. Enquanto para criar o céu visível Lhe bastou falar, para adquirir esse outro céu teve de lutar, morreu para o resgatar. É por isso que, depois de todos os seus trabalhos, tendo realizado o seu desejo, Ele diz: «Eis o lugar do meu repouso para sempre, é ali a morada que Eu tinha escolhido» (Sl 131,14). [...] 

Agora, portanto, «porque te desolas, ó minha alma, e gemes sobre mim?» (Sl 41,6) Pensas encontrar em ti um lugar para o Senhor? Que lugar em nós é digno de tal glória? Que lugar chegaria para receber a sua majestade? Poderei ao menos adorá-Lo nos lugares onde se detiveram os seus passos? Quem me concederá ao menos poder seguir o rasto de uma alma santa «que Ele escolheu para seu domínio»? (Sl 31,12) 

Possa Ele dignar-Se derramar na minha alma a unção da sua misericórdia, para que também eu seja capaz de dizer: «Corro pelo caminho das tuas vontades, porque alargaste o meu coração» (Sl 118,32). Poderei talvez, também eu, mostrar-Lhe em mim, senão uma grande sala toda preparada, onde Ele possa comer com os seus discípulos (Mc 14,15), pelo menos um lugar onde possa reclinar a cabeça (Mt 8,20).

sábado, 23 de janeiro de 2016

QUEM RESISTE A UM OLHAR PLENO DE AMOR E TERNURA?

«Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.
Também para Deus, e antes de mais para Deus, perdoar é amar, amar com um amor tal que faça surgir na escuridão e na impureza da alma um amor inteiramente novo que a purifica, transforma e encaminha para uma perfeição também inteiramente nova.
Pensemos no olhar de Cristo sobre Pedro quando este acabou de negá-lo... Não foi, como toda a certeza, um olhar de censura ou de cólera. Foi, o que é muito mais terrível, um olhar de amor, de amor intenso, exprimindo uma ternura mais solícita, mais calorosa e mais envolvente que nunca.
Pedro não pôde resistir-lhe; partiu-se-lhe o coração e soltaram-se-lhe as lágrimas, ao mesmo tempo amargas e doces. Simultaneamente, pela ação conjugada do olhar de Jesus e do Espírito de Cristo operando nele, um amor novo apoderou-se de todo o seu ser. De tal modo que, poucos dias depois da sua negação, ele ousou afirmar sem hesitações: «Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». E Pedro não mente: esse amor novo que o olhar do seu Mestre fez jorrar nele levá-lo-á ao dom da sua vida numa cruz, depois de uma existência passada a pregar às multidões o amor com que Deus nos ama.»
Henri Caffarel, in "Nas Encruzilhadas do Amor"

06.Como se le a biblia

06.Como se le a biblia

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

“O desafio hoje é cristianizar os cristãos. Como enfrentar um ambiente que formalmente é religioso, mas na prática é completamente egoísta, voltado para si e totalmente alheio a quaisquer desafios religiosos possíveis. Como falar de Deus para quem tem Deus no carro, na casa, na camiseta, mas só não tem no coração e na atitude. É o desafio de sempre: como falar da lei para doutores da lei e para fariseus, aqueles que pagam o dízimo sobre o cominho, mas não entenderam o básico.”

A SERENIDADE, UMA SÁBIA REFLEXÃO DE HERMANN HESSE

A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas.O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade.