quinta-feira, 24 de julho de 2014

POR FALAR EM SONHO - RUBEM ALVES


Jardim - pequeno espaço fechado. A gente fecha e lá fora as feras; dentro, as coisas boas. A tristeza do jardim é que do lado de fora estão as feras. Todo pequeno jardim tem um grande sonho - "tudo se transforme em jardim". [...] Há um enorme jardim para ser construído. O jardim que ninguém consegue construir sozinho. O grande jardim é o país da gente. Para construir esse jardim necessita-se de muitos jardineiros. Precisa-se do povo. Santo Agostinho dizia que é preciso  o povo é quando um punhado de pessoas começam a sonhar o mesmo sonho. [...] É preciso de um mesmo sonho. Se a gente não tiver o mesmo sonho, a gente não consegue fazer a coisa. Chico diz como o povo nasce:
A Banda
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
Quando cada pessoa larga do seu pequeno sonho, repentinamente, aparece um grande sonho, todos param com o seu pequeno sonho.[...]
Todas as coisas mais cruéis foram feitas com o saber e com a ciência. O mundo bom não se faz com o saber. O mundo bom se faz com a bondade. Há pessoas que só têm saber, mas não têm bondade. Elas só contribuem para a construção de um mundo mais frio.
[...]. Quem não sonha fica feio.





Rio de Janeiro, 23 de julho de 1993.
Minutos antes da meia meia-noite, oito homens descem de dois carros com placas cobertas em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Em seguida, abrem fogo contra um grupo de aproximadamente 50 pessoas que costumavam dormir ali, a maioria crianças e adolescentes. Minutos depois, seis crianças e adolescentes e dois adultos estavam mortos.
Até hoje, a Chacina da Candelária é uma dolorosa lembrança na história brasileira. Em frente à igreja, uma cruz de madeira e uma placa de concreto marcam o local da tragédia – uma das mais conhecidas violações dos direitos das pessoas em situação de rua e das crianças e adolescentes de toda a história brasileira.
Fonte: Secretaria de Direitos Humanos

quarta-feira, 23 de julho de 2014

ARIANO SUASSUNA




"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."


"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso."