segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Mestre Echardo (Meister Eckhart — 1260-1327



Mestre Echardo (Meister Eckhart — 1260-1327


Fim da Ética. — Echardo revela bem o que é quando vem a tratar de questões éticas. O que neste domínio ensina é uma doutrina da perfeição cristã; e o que aí sobretudo lhe importa é impregnar a vida desse ideal, a tal ponto, que se torna por sua vez gerador de vida. Quer ele ser mestre não de ler, mas de viver. A prática lhe é mais importante que a teoria.    "Assim, é melhor dar de comer a quem tem fome, do que entregar-se a uma prolongada contemplação interna. E fosse alguém arrebatado como S. Paulo e soubesse de um doente necessitado do seu auxílio, eu julgaria muito melhor que deixasse por amor o êxtase e servisse o necessitado com amor tanto maior". O seu pensamento é aqui uníssono com o do seu grande confrade Tomás de Aquino: "S. Tomás ensina que sempre o amor ativo vale mais que o contemplativo, quando o amor ativo dissemina o que colheu na contemplação" (Karrer, 1. c. 390 ss.).   A ética de Echardo obedece ao lema —   "unidade com o ser uno". Isto quer dizer participação amorosa e cognitiva do supremo bem e da sua perfeição. Praticamente significa conformidade do nosso pensamento e vontade com Deus. Evidentemente, por amor do supremo bem e da perfeição objetiva como tal. Echardo é um moralista de intenção normativa e não precisa ser purificado da tacha de nenhuma moral interessada.

domingo, 20 de novembro de 2016

UNESCO lembra importância da filosofia para o respeito à diversidade

LEIA

DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA

Tema: "Convivência: como somar num mundo em conflito"

A UNESCO instituiu o Dia Mundial da Filosofia em 2005 por acreditar no valor da filosofia para o desenvolvimento do pensamento humano em cada cultura e cada indivíduo, sustentando que o pensamento crítico ajuda a dar sentido à vida e às ações realizadas no contexto internacional.

Sobre o tema

Sob esta temática, vamos explorar o importante papel das relações humanas e do respeito entre diferentes culturas, povos e crenças para apoiar o desenvolvimento social, político e econômico. Essencialmente, o desenvolvimento se baseia na promoção da pessoa humana e do seu conjunto de relações consigo mesma e a sociedade onde vive. São laços de confiança e respeito, empatia e ajuda mútua que permitem que as pessoas se unam em torno de projetos comuns que gerem civilidade e desenvolvimento em todos os campos.
É na riqueza de trocas entre as pessoas que as ideias surgem, novos projetos nascem e é possível fazer a sociedade avançar em termos de conhecimento e progresso científico e tecnológico. O sectarismo e isolamento geram guetos e conflito que atrapalham o desenvolvimento das instituições.
Vivemos um momento contraditório em que muito nos comunicamos e ao mesmo tempo, temos crescentes problemas de depressão e sociopatia. São superficiais as relações. Quando as pessoas sabem se relacionar, geram mais vida e criatividade e conseguem crescer e promover o desenvolvimento comum em todos os níveis.

Onde está Deus?, onde está o homem?

«A desolação espiritual faz-nos sentir como se tivéssemos a alma esmagada, que não quer viver. "Melhor é a morte!", é a revolta de Job; é melhor morrer do que viver assim (...). A liturgia de hoje faz-nos ver como é preciso comportar-se com esta desolação espiritual, quando estamos mornos, abatidos, sem esperança. Uma ajuda vem do salmo responsorial: "Chegue a ti a minha oração, Senhor". Portanto a primeira coisa a fazer é rezar. Oração forte, forte, forte (...). O Salmo 87 (88) que recitámos juntos ensina-nos como rezar no momento da desolação espiritual, da escuridão interior, quando as coisas não vão bem e a tristeza entra muito forte no coração. "Senhor, Deus da minha salvação, diante de ti grito dia e noite": as palavras são fortes! (...) Em suma, é uma oração que consiste em bater à porta, mas com força: "Senhor, estou cheio de desgraças. A minha vida está à beira dos infernos. Sou contado entre aqueles que descem à cova, sou como um homem já sem forças". (...) Diante de uma pessoa que está nesta situação, as palavras podem fazer mal. É preciso apenas tocá-la, estar próximo, de modo que sinta a proximidade, e dizer aquilo que ela pergunta, mas não fazer discursos. (...) Qundo uma pessoa sofre, quando está na desolação espiritual, deve falar-se o menos possível e deve-se ajudar com o silêncio, a proximidade, as carícias, a sua oração diante do Pai. (...) O Senhor nos ajude: primeiro, a reconhecer em nós os momentos da desolação espiritual, quando estamos na escuridão, sem esperança, e perguntarmo-nos por quê; segundo, a rezar como ensina a liturgia de hoje; terceiro, quando me aproximo de uma pessoa que sofre, seja por uma doença ou por qualquer outra circunstância, mas que está na desolação: fazer silêncio. Um silêncio com muito amor, proximidade, carícias. E não fazer discursos que não ajudam, mas fazem mal» (meditação matutina na capela da Casa de Santa Marta, 27.9.2016).
Avançando nos anos e navegando no mar da vida, a todos é dado conhecer tempestades e naufrágios. Então é espontaneamente que dizemos, como fizeram os discípulos: "Senhor, porque dormes? Não te importa que eu pereça? Onde estás? Porque te calas?" (cf. Salmo 44, 24; Marcos 4, 38 e paralelos). Mas também se na linguagem de uma relação amorosa usamos estas expressões, que talvez se aproximem da blasfémia, não podemos pensar que Deus tenha a possibilidade de interromper o seu amor, de fechar para sempre uma relação, de ver o ser humano sofrer e compadecer-se disto. O amor de Deus não é merecido, e nenhum de nós pode pensar ter em si próprio um amor que Deus nega, detesta ou não vê, porque o seu amor é maior que o nosso coração e que o nosso amor (cf. 1 João 3, 20).Agrada-me concluir estas minhas reflexões citando um famoso texto anónimo: «Sonhei que caminhava à beira-mar com o meu Senhor e revia no ecrã do céu todos os dias da minha vida passada. E por cada dia passado apareciam na areia quatro pegadas, a minha e a do Senhor. Mas em alguns trechos do caminho vi só duas pegadas, precisamente nos dias mais difíceis da minha vida. Então disse: "Senhor, eu escolhi viver contigo e tu prometeste-me que estarias sempre comigo. Porque é que me deixaste só precisamente nos momentos mais difíceis?". E Ele respondeu-me: "Filho, tu sabes que te amo e nunca te abandonei: os dias em que vês apenas duas pegadas na areia são precisamente aqueles em que te levei ao colo"».
Sim, o Senhor abre sempre para nós o caminho e precisamente nas horas mais obscuras é Ele que nos leva ao colo!
[Enzo Bianchi | Prior do Mosteiro de Bose, Itália | In "Monastero di Bose"]