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Mostrando postagens de fevereiro, 2019

MEDO DA SOLIDÃO

Se temos medo de ficar sozinhos, medo do silêncio, talvez seja em virtude de nossa secreta desesperança de reconciliação íntima. Se não temos a esperança de ficar em paz conosco em nossa própria solidão e em nosso silêncio pessoal, jamais seremos capazes de nos encarar: continuaremos correndo sem parar. E essa fuga do eu é, como indicou o filósofo suíço Max Picard, uma "fuga de Deus". Afinal de contas, é nas profundezas da consciência que Deus fala, e, se recu samos a nos abrir por dentro e a olhar essas profundezas, também recusamos nos confrontar com o Deus invisível presente dentro de nós. Essa recusa é uma admissão parcial de que não queremos que Deus seja Deus, assim como não queremos que nós mesmos sejamos nossos eus verdadeiros. MERTON, T. Amor e vida. São Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 44.
“Todo homem possui um filósofo dentro de si, para fazê-lo viver é necessária a presença do amor heroico, dessa força infinita que provém do uno, e que permite ao homem suportar dores, transformar o mundo, concretizar seus ideais.” Giordano Bruno
«A liturgia é antes de mais nada o instrumento da salvação. É da sua verdade e do seu valor de vida cristã que se trata para nós. Ao pronunciar as orações e os salmos, não queremos nem buscamos senã­o louvar a Deus. Quando participamos na Missa, o que importa é reconhecer que estamos então mesmo à beira do manancial da Graça». (Romano Guardini, O Espírito da Liturgia, SNL 2017, p. 94)

A verdade saindo do poço

A pintura “A Verdade saindo do Poço” (1896), mostrada abaixo, é de autoria de Jean -Léon Gérôme, escultor e pintor francês, e está ligada a uma parábola do século XIX. Segundo essa parábola, a Verdade e a Mentira se encontram um dia. A Mentira diz à Verdade: "Hoje é um dia maravilhoso!" A Verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo. Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A Mentira diz à Verdade: “A água está muito boa, vamos tomar um banho juntas!” A Verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que realmente está muito gostosa. Elas se despiram e começaram a tomar banho. De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge. A Verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta. O Mundo, vendo a Verdade nua, desvia o olhar, com desprezo e raiva. A pobre Verdade volta ao poço e desaparece para sempre, escondendo nele sua vergonha. Desde

Para que servem as humanidades?, de Leyla Perrone Moisés

As humanidades servem para pensar a finalidade e a qualidade da existência humana, para além do simples alongamento de sua duração ou do bem-estar baseado no consumo. Servem para estudar os problemas de nosso país e do mundo, para humanizar a globalização. Tendo por objeto e objetivo o homem, a capacidade que este tem de entender, de imaginar e de criar, esses estudos servem à vida tanto quanto a pesquisa sobre o genoma. Num mundo informatizado, servem para preservar, de forma articulada, o saber acumulado por nossa cultura e por outras, estilhaçado no imediatismo da mídia e das redes. Em tempos de informação excessiva e superficial, servem para produzir conhecimento; para “agregar valor ˮ , como se diz no jargão mercadológico. Os cursos de humanidades são um espaço de pensamento livre, de busca desinteressada do saber, de cultivo de valores, sem os quais a própria ideia de universidade perde sentido. Por isso merecem o apoio firme das autoridades universitárias e da sociedade, que el

DECRETO 9699

“ Governar é a arte de criar problemas cujas soluções mantenham a população em suspense” (Ezra Pound)
T. S. Eliot: «Onde está a sabedoria que nós perdemos no conhecimento? Onde está o conhecimento que nós perdemos na informação?»
Agustina Bessa-Luís «O Manto» A vida é como um manto em que se arrastam todas as fúrias e ternuras do mundo, e que deixa ficar por toda a parte alguma coisa do seu calor e do seu peso. O manto estende-se e envolve-se, descobre e oculta, agasalha e expõe ao frio; o manto é de farrapos imensos onde se embalou a morte. Desdobra-se, e parece mesquinha urdidura; chega-se aos olhos e a sua cor apaga-se, atira-se no vento e ele cobre os astros inteiramente.
Santo Agostinho advertiu: «Por mais altos que sejam os voos do pensamento, Ele está ainda mais além. Se compreendeste, não é Deus. Se pudestes compreender, não foi Deus que compreendeste, mas apenas uma representação de Deus. Se quase pudeste compreender, então foste enganado pela tua reflexão». Deus é mais acessível ao coração que ama do que à mente que pensa. O amor é o que maior honra tributa a Deus, que é amor (cf. 1Jo 4, 8.16).

Reflexão do evangelho: "Pela tua palavra lançarei as redes!" - CEBI

Reflexão do evangelho: "Pela tua palavra lançarei as redes!" - CEBI : via IHU Online* Certo dia, Jesus estava na margem do lago de Genesaré. A multidão se apertava ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago; os pescadores haviam desembarcado, e lavavam as redes. Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois …
Não é preciso ir ao Teatro para ver «teatro». Há tanto «teatro» na vida...
Thomas Merton escreveu para a capa de "Um leitor de Thomas Merton", em 1962: "O cristão, na minha opinião, é aquele que sacrifica a meia verdade pela verdade total; Alguém que abandona um conceito incompleto e imperfeito de vida para uma vida integral, unificada e estruturalmente perfeita. Contudo , empreender tal vida não é o fim do itinerário, mas apenas o começo para o qual uma longa jornada deve ir, uma busca angustiada e às vezes perigosa. O monge é, ou pelo menos deveria ser, o cristão mais comprometido na busca. Seu caminho leva-o através de desertos e paraísos dos quais não há mapas. Ele vive em regiões desconhecidas de solidão, vazio, alegria, perplexidade e admiração ". Em seu "Diário da Ásia", o último livro que escreveu antes de morrer, Thomas Merton observa: "A tarefa peculiar do monge no mundo hoje é manter viva a experiência contemplativa e manter o caminho aberto para o homem. a tecnologia moderna recupera a integridade de sua próp

Ainda que...

Um novo amanhecer

“Uma luz muito doce se espalha sobre a terra como um perfume. A lua dilui-se lentamente e um sol-menino espreguiça os braços translúcidos... Frescos murmúrios de água pura que se abandonam aos declives. Um par de asas dança na atmosfera rosada. Silêncio, meus amigos.  O dia vai nascer.” (Clarice Lispector)

Papa Francisco: “Insistam na oração: Deus atende sempre!”

"Rezar é a vitória sobre a solidão e o desespero" Dando sequência à série de catequeses sobre o Pai-Nosso, o  Papa Francisco  falou na audiência geral desta quarta-feira, 9, sobre a  oração perseverante . Ele partiu da passagem de São Lucas 11, 9-13: “ Batei e vos será aberto ”. Falando aos 7 mil peregrinos presentes na Sala Paulo VI, Francisco recordou: “Jesus é sobretudo um orante”. Cada passo na vida de Jesus “ é como que movido pelo sopro do Espírito, que O guia em todas as Suas ações ”. O Papa evocou, por exemplo, a Transfiguração, o batismo no Jordão, a intercessão por Pedro. Nas decisões mais importantes, Jesus “ se retira frequentemente para a solidão, para rezar. Até a morte do Messias está mergulhada num clima de oração, tanto que as horas da Paixão parecem marcadas por uma calma surpreendente ”. Jesus consola as mulheres, reza pelos que O crucificam, promete o Paraíso ao bom ladrão e expira dizendo: “ Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito ”.

Juizado da 1ª Vara Federal de Montes Claros condena o INSS ao pagamento de pensão por morte a nascituro

O juiz federal substituto Leônder Magalhães da Silva, da 1ª Vara da Subseção de Montes Claros, proferiu sentença, no dia 24 de janeiro, determinando ao INSS o pagamento do benefício previdenciário de pensão por morte a nascituro. Na petição inicial, a parte autora relatou que o óbito de seu genitor ocorreu anteriormente ao seu nascimento, sendo que, ao requerer administrativamente o benefício de pensão por morte junto ao INSS, a autarquia previdenciária lhe concedeu o benefício almejado apenas desde a data do seu nascimento. Requereu, então, o pagamento das prestações vencidas desde a data do óbito do instituidor até a data de seu nascimento. Mais informações no link abaixo:  http://portal.trf1.jus.br/sjmg/comunicacao-social/imprensa/noticias/juizado-da-1-vara-federal-de-montes-claros-condena-o-inss-no-pagamento-pensao-por-morte-a-nascituro.htm

EM PRESENÇA DO SILÊNCIO INFINITAMENTE RICO DE DEUS

“Devemos responder com alegria e liberdade ao dom de Deus, com ação de graças e felicidade, contentes. Na con templação, porém, devemos responder-lhe menos com palavras do que por uma serena felicidade de silenciosa aceitação. ‘Permanece vazio e vê que eu sou o Senhor.’ Trata-se de nosso vazio em presença do abismo da realidade de Deus, nosso silêncio em presença de seu silêncio infinitamente rico, nossa alegria no centro da serena obscuridade em que sua luz nos mantém absortos; é isso tudo que o louva. É isso que provoca amor de Deus, admiração e adoração que surgem em nós como ondas poderosas, vindas das profundezas daquela paz que conhecemos, inundando as praias do nosso consciente numa vasta, silenciosa espuma de indizível louvor e glória!" Thomas Merton, “Novas Sementes de Contemplação”, Fisus 1999, p. 226 / Vozes 2017, p. 212-213.

Armando Freitas Filho, no livro 'Rol'. São Paulo: Companhia das Letras, 2016

JURISTA CLÁUDIO LEMBO

"Nosso crescimento em Cristo não se mede apenas pela intensidade do amor, mas também pelo aprofundar-se da visão, pois começamos, agora, a ver Cristo não apenas  no mais íntimo de nossa alma, não somente nos salmos e na missa, mas em toda parte, irradiando a glória do Pai, em cada traço das feições dos homens. Quanto mais a Ele estamos unidos pelo amor, tanto mais o estamos uns aos outros, porque há uma caridade que abraça a Deus e a nosso irmão." Thomas Merton, "O Pão no Deserto", Vozes 2008, p.91-92.
Ninguém permanece satisfeito com o que tem, olhando para o que é dos outros. O homem é tão mesquinho que, mesmo tendo recebido muito, considera-se injuriado se pudesse ter recebido mais. Agradece aquilo que recebeste; aguarda pelo restante e alegra-te por não estares ainda satisfeito: é um prazer haver algo por que esperar. Venceste todos os homens: alegra-te por seres o primeiro no coração do teu amigo; foste vencido por muitos: considera quantos homens estão atrás de ti, mais do que quantos estão à tua frente. Queres saber qual é o teu maior vício? Fazes mal as contas: valorizas demasiado o que te oferecem, mas desvalorizas o que tens. Séneca