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“falar é uma necessidade, escutar é uma arte”! Goethe

Ouvir e escutar será a mesma coisa? Se perguntarmos a pais, professores, e toda a espécie de comunicadores, creio que será possível concordar numa diferença fundamental: não são a mesma coisa! “Não me ouviste?”, diz o pai já irritado ao filho distraído; “Estão a ouvir?” insiste o professor à turma irrequieta; “Para os nossos ouvintes...”, lança no ar o locutor. Sim, se não estivermos de auscultadores postos nem sofremos de surdez, até ouvimos, mas “escutar” pertence ao plano da atenção, do acolhimento, da dedicação do pensamento. Escutar é o que fazemos quando o António Zambujo canta e nos suspende num silêncio, como se fosse só para nós (e quem diz ele, diz o Chico, o Caetano, a Bethânia, a Mariza...!). Escutar é beber as palavras e os olhos e os gestos da pessoa amada que nos abre o coração. Escutar é despirmo-nos da tentação de pensar nas respostas, e receber, abraçando, as dores ou alegrias que alguém partilha![...]
Escutar Jesus, como o Pai pediu no Tabor (é o seu único pedido em todos os evangelhos!), na intimidade do coração e da consciência, nas palavras da Bíblia, nos acontecimentos lidos em chave de amor e esperança. Escutarmos as pessoas que amamos, não as trocando por imagens que se “instagramam” ou mensagens que são sempre mais importantes do que a pessoa que está diante de nós. E de escutar outros, náufragos deste mar de ruídos, que chegam à praia da nossa vida e mendigam um pouco de tempo e atenção. E como diz uma amiga minha, a propósito da poesia e do exílio a que votamos os poetas, ouso parafrasear: “se escutasse um pouco mais por dia, não sabe o bem que lhe fazia! Victor Gonçalves

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