Pular para o conteúdo principal

HINO AO ESPÍRITO SANTO - Edith Stein

I
Quem és Tu,
doce luz que me preenche
e ilumina a obscuridade do meu coração?
Conduzes-me como a mão de uma mãe
e se me soltasses,
não saberia nem dar mais um passo.
És o espaço que envolve todo meu ser
e o encerra em si.
Se fosse abandonada por Ti
cairia no abismo do nada,
de onde tu o elevas ao Ser.
Tu, mais próximo de mim que eu mesma,
e mais íntimo que minha intimidade,
e, sem dúvida,
permaneces inalcançável e incompreensível,
e que faz brotar todo nome:
Espírito Santo — Amor eterno!

II
Não és Tu o doce maná
que do coração do Filho flui para o meu,
alimento dos anjos e dos bem-aventurados?
Aquele que da morte à vida se elevou,
também a mim despertou a uma nova vida
do sono da morte.
E nova vida me doa
dia após dia.
E um dia me cumulará de plenitude.
Vida de minha Vida.
Sim, Tu mesmo,
Espírito Santo – Vida Eterna!
III
Não és Tu o raio
que cai do Trono do Juiz eterno
e irrompe na noite da alma,
que nunca se conheceu a si mesma?
Misericordioso e impassível
penetras nas profundezas escondidas.
Se ela se assusta ao ver-se a si mesma,
concedes lugar ao santo temor,
princípio de toda sabedoria
que vem do alto,
e no alto com firmeza nos unes à tua obra,
que nos faz novos,
Espírito Santo — Raio penetrante!
IV
Não és Tu a plenitude do Espírito
e da força
com a qual o Cordeiro rompe o selo
do segredo eterno de Deus?
Impulsionados por Ti
os mensageiros do Juiz
cavalgam pelo mundo
e com espada afiada separam
o reino da luz do reino da noite.
Então surgirá um novo céu
e uma nova terra,
e tudo retorna ao seu justo lugar
graças a Teu alento:
Espírito Santo — Força triunfante!
V
Não és Tu o mestre construtor
da catedral eterna
que se eleva da terra aos céus?
Por ti vivificadas as colunas se elevam
para o alto e permanecem imóveis e firmes.
Marcadas com o nome eterno de Deus
se elevam para a luz
sustentando a cúpula,
que cobre, qual coroa,
a santa catedral,
tua obra transformadora do mundo,
Espírito Santo — Mão criadora!
VI
Não és Tu quem criou o claro espelho,
próximo ao trono do Altíssimo,
como um mar de cristal
aonde a divindade se contempla amando?
Tu te inclinas
sobre a obra mais bela da criação,
e resplandecente Te ilumina
com teu mesmo esplendor.
E a pura beleza de todos os seres,
unida à amorosa figura da Virgem,
Tua esposa sem mancha:
Espírito Santo — Criador do Universo!
VII
Não és Tu o doce canto do amor
e do santo recato,
que eternamente ressoa
diante do trono da Trindade,
e desposa consigo os sons puros
de todos os seres?
A harmonia
que une os membros com a Cabeça,
onde cada um encontra feliz
o sentido secreto de seu ser,
jubilante irradia,
livremente desprendido em Teu fluir:
Espírito Santo — Júbilo eterno!
Santa Teresa Benedita da Cruz
(Edith Stein)
Hino escrito para o Pentecostes de 1942,
poucos meses antes do seu martírio,
em Auschwitz, Polónia.

Postagens mais visitadas deste blog

ORAÇÃO PARA SER REZADA TODOS OS DIAS

 Ave Maria  de  Alta Graça         Ave Maria de Alta Graça, Luz Divina que o sol embaça, Ave Maria Paz e Minha Guia, me acompanhe neste dia Deus e a Virgem Maria, o mar se abrande, cessem os perigos, retrocedei todos os viventes que estiverem neste dia contra mim; Se tiverem pés não me alcancem, braços não me toquem, olhos não me enxerguem e língua não me falem; Faltem as forças a todos aqueles que me quiserem fazer o mal. Eu com o Manto de Nosso Senhor Jesus Cristo serei coberto, com seu sangue, serei baforado, não serei preso e nem amarrado; Viverei em paz e harmonia assim como viveu Nosso Senhor Jesus Cristo no ventre puríssimo de Sua Mãe Maria Santíssima.

Advento - Cardeal D. José Tolentino Mendonça

  Advento, tempo de espera. Não apenas de um dia, mas daquilo que os dias, todos os dias, de forma silenciosa, transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazareth principiou. Advento, tempo de redescobrir a novidade escondida em palavras tão frágeis como “nascimento”, “criança”, “rebento”. Advento, tempo de escutar a esperança dos profetas de todos os tempos. Isaías e Francisco. Miqueias e Teresa de Calcutá. Advento, tempo de preparar, mais do que consumir. Tempo de repartir a vida, mais do que distribuir embrulhos. Advento, tempo de procura, de inconformismo, até de imaginação para que o amor, o bem, a beleza possam ser realidades e não apenas desejos para escrever num cartão. Advento, tempo de dar tempo a coisas, talvez, esquecidas: acender uma vela; sorrir a um anjo; dizer o quanto precisamos dos outros, sem vergonha de parecermos piegas. Advento, tempo de se perguntar: “há quantos anos, há quantos longos meses desisti de renascer?” Advento, tempo de rez...